Empreendedorismo – Podemos tirar lições de um festival de música?

Empreendedorismo – Podemos tirar lições de um festival de música?

Com certeza já ouviste a frase “dança como se ninguém estivesse a ver”. Mas já pensaste em tudo o que essa frase pode significar?

  • Uma simples sessão de cardio?
  • Uma forma divertida de gastar energias?
  • Fazer figuras tristes em privado para evitar fazê-las em público?
  • Estar em sintonia contigo própria?

Quando penso em empreendedorismo, por estranho que possa parecer, lembro-me sempre do “dancing man”… um jovem que, num festival de música nos Estados Unidos em 2009, deu que falar por toda a internet.

E acredito que há várias lições que podemos tirar destas imagens:

  • Ser líder

Quantas de nós não tiveram já o dedo apontado na nossa direção a dizer que éramos loucas por tentar fazer algo novo, sair da zona de conforto?

“Tens a certeza?”

“E se corre mal?”

“Mas há mais alguém a fazer isso?”

“Achas que tens capacidade para tal?”

“Não achas que um emprego por conta de outrem é mais seguro que um sonho?”

Estas são apenas algumas das perguntas que nos colocam (e que colocamos a nós próprias) quando decidimos empreender. Mas o que nós sabemos é que não é o comodismo, o conforto, o conhecido, que nos levam mais longe. É quem arrisca, quem não tem medo de abraçar a sua loucura, que se torna visionário e chega onde outros apenas sonham. É quem não olha aos comentários depreciativos (não confundir com críticas construtivas) e destrutivos, quem tem coragem, que faz a diferença e se torna num exemplo para os restantes.

  • Não desistir

Se olharmos com atenção, temos a perceção de que aquele jovem está a dançar há algum tempo, mas ninguém lhe liga. No entanto ele continua a fazer aquilo que lhe dá prazer, sem perder o ritmo ou a motivação!

E na vida real é isso mesmo que deve acontecer! Não aprendemos a tocar um instrumento em poucas horas, um cantor não fica conhecido do dia para a noite, uma empresa não apresenta lucros de um dia para o outro, e tu não angarias clientes num estalar de dedos.

É essa a segunda lição: os resultados demoram a chegar, por isso persiste e não desistasMostra-te ao mundo, diz quem és, sê consistente e os efeitos serão visíveis.

  • Nutre os teus seguidores

Repara na alegria que ele demonstra quando vê que outro rapaz se junta a ele na aparente loucura! Ele podia até nem ligar, continuar na dele, a disfrutar da música, mas ele reage de forma vibrante quando dá as boas vindas àquele primeiro seguidor. E é aquele primeiro seguidor que transforma “um louco” num líder que iniciou um movimento único. E é por isso que é importante nutrir e acarinhar os teus seguidores. São eles que fazem de ti líder. Sem eles, és apenas alguém com uma ideia.

  • Manter o “momentum

E agora que começas a ter um e outro seguidor, não pares! Não penses que o trabalho está feito!

Ganhaste “momentum”, embalo, os seguidores vão surgindo um atrás do outro, a comunidade cresce, mas apenas cresce enquanto a fores alimentando. Quando achares que o teu trabalho está feito e não precisas de te esforçar mais e que tudo agora entra em piloto automático, é o momento em que os teus seguidores deixam de estar alinhados com a tua marca, com o que simbolizas, com o teu propósito.

  • Pensa no teu propósito

Se pensarmos em termos de psicologia do consumidor, percebemos que as marcas de maior sucesso respondem não apenas a uma necessidade, mas a um modo de vida, uma causa, a um posicionamento com o qual nos identificamos.

Simon Sinek coloca esta questão de forma extremamente percetível no seu livro Primeiro Pergunte O Porquê” (“Start With Why)” com a teoria do “Círculo Dourado”.

Grande parte das pessoas, quando inicia um negócio, pensa no que vai fazer e como, mas deixa de parte um ponto fundamental que é o porquê… O que as move? O que as motiva a fazer o que fazem? Qual o propósito da sua atividade?

A quem não conhece esta teoria, vou tentar aplicá-la a uma empresa que conheço bem e com a qual trabalhei, a Tesla. Todos conhecem a Tesla como uma empresa que vende automóveis elétricos (mesmo que, na realidade, seja uma empresa tecnológica que, entre outras coisas, vende automóveis elétricos). Mas se olharmos com atenção, vemos que a Tesla tem um “porquê” extremamente sólido. A sua missão é “acelerar a transição do mundo para a energia sustentável”. Se olharmos para o círculo dourado da Tesla podemos encontrar algo nestes moldes:

WHY / PORQUÊ? (qual o teu propósito) – “Acelerar a transição do mundo para a energia sustentável”

HOW / COMO? (como vais atingir o teu propósito) – “Provar que as pessoas não tinham de abrir mão do que quer que seja para conduzirem veículos elétricos – que os veículos elétricos podem ser melhores, mais rápidos e mais divertidos de conduzir do que os automóveis a gasolina”

WHAT / O QUÊ? (a materialização do teu Porquê, a prova) – Produzir carros elétricos

As pessoas não compram o que fazes, mas sim porque o fazes. Se o teu propósito estiver alinhado com o delas, está aí o teu público alvo! Adquirir aquilo que fazes é uma forma de mostrarem ao mundo aquilo em que acreditam. Daí ser tão importante teres um Porquê bem definido que te defina e te distinga.

E se disserem que não estás boa da cabeça responde apenas… “não… eu danço ao som da minha loucura!

This Post Has One Comment

  1. Rafaela

    Adorei este “remate final” : “não… eu danço ao som da minha loucura!“

    Gostei muito do teu artigo! Espero pelo próximo 🙂

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